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  • O Projeto
  • - O Projeto

    + Delimitação do objeto

    + Objetivos

    + Metodologia

    + Carlos Alberto Figueiredo

    + Aspectos tecnológicos

     

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  • O Projeto

    É imensa a quantidade de música sacra e religiosa produzida pelos compositores brasileiros dos séculos XVIII e XIX. Os arquivos em várias regiões do país estão repletos de manuscritos, autógrafos e cópias, testemunhas dessa enorme produção, que permanece, em sua grande parte, desconhecida. Mesmo um levantamento do conteúdo de todos esses arquivos ainda não foi feito. Algumas iniciativas individuais e institucionais geraram alguns catálogos, temáticos ou não, que nos permitem ter uma visão parcial da nossa música do passado, com destaque para a música sacra e religiosa[1].

    Para que essa música seja conhecida, executada, gravada e analisada é preciso que ela seja editada e publicada, já que o acesso aos manuscritos, em vários aspectos, é muito difícil. Cópias modernas conseguiram preencher algumas lacunas, mas têm, necessariamente, pouca circulação. É possível constatar, empiricamente, que o movimento editorial em nosso país ainda é muito incipiente e não dá conta dessa imensa riqueza de manuscritos, com música de todos os tipos. Não só a quantidade de publicações não é grande, como se esgotam rapidamente, além de terem distribuição restrita. Os músicos, ávidos por material para execução estão sempre se perguntando: o que existe? Onde está o que existe?

    Em nossa Dissertação de Mestrado, Ofício dos Defuntos a 8 vozes de José Maurício Nunes Garcia – Edição Crítica, fizemos um primeiro levantamento, não exaustivo, das publicações brasileiras que aqui nos interessam. Chegamos ao número de cerca de 110 edições publicadas (Figueiredo, 1995:5-10). Em nossa Tese de Doutorado, Editar José Maurício Nunes Garcia, fechamos o foco nas publicações de obras desse compositor, sacras e profanas, com cerca de 70 itens (Figueiredo, 2000:107-113). Esse levantamento foi refinado no que diz respeito às edições de obras sacras de José Maurício e apresentado na XV ANPPOM, alcançando cerca de 55 itens (Figueiredo, 2006:758-765).

    Como podemos constatar, esses levantamentos são sumários e incompletos. Desconhecemos qualquer outra pesquisa semelhante, a não ser o importante projeto Impressão Musical na Bahia, do Núcleo de Estudos Musicais da UFBA, capitaneado pelo pesquisador Manuel Veiga. Esse projeto, entretanto, lida majoritariamente com repertório profano. Assim sendo, nos propusemos a preencher essa lacuna no conhecimento musicológico brasileiro, no que diz respeito ao repertório sacro e religioso[2].

     

    [1]Barbosa, Elmer, 1979; Duprat, Régis, 1991; Mattos, Cleofe Person de, 1970; Arquivo Público do Estado do Maranhão, 1997; Nogueira, Lenita Waldige Mendes, 1997, entre outros.



    [2]Destaque-se, no âmbito da música portuguesa, o importante estudo de Maria João Durãens Albuquerque sobre a impressão musical naquele país entre 1750 e 1834.

     

  © Carlos Alberto Figueiredo